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ALGUNS PORMENORES SOBRE A VISITA DA RAÍNHA DONA AMÉLIA DE ORLEANS E BRAGANÇA A PORTUGAL

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Joaquim Fernandes in 10 de Setembro 2014


Passados trinta e cinco anos depois do exilio da Família Real em Inglaterra, dada a implantação da República em 5 de Outubro de 1910, a convite do Presidente do Conselho de Ministros Prof. Doutor António de Oliveira Salazar, a nossa última rainha senhora Dona Amélia de Orleans e Bragança, na altura a residir em França, esteve de visita a Portugal no período de 17 de Maio a 30 de Junho de 1945, tinha então 79 anos de idade, tendo ficado instalada, com a sua comitiva, no Hotel Avis, um dos melhores hotéis de Lisboa, na época, tendo efectuado uma série de visitas a alguns dos lugares por onde passou e viveu durante o seu reinado, sempre acompanhada pelo Visconde de Asseca, e recebida com honras e pompas de rainha que era e tratada por majestade, inclusivamente, pelo próprio Salazar.

A sua primeira visita, como não podia deixar de ser foi ao Panteão Real da Dinastia de Bragança, no Mosteiro de São Vicente, onde se encontram os túmulos do marido e dos filhos, respectivamente, o rei Dom Carlos, o príncipe real Dom Luís Filipe mortos aquando do regicídio de 1 de Fevereiro de 1908, o rei Dom Manuel II que morreu no exilio em 2 de Julho de 1932 e uma princesa que morreu poucos dias depois do nascimento, onde fez questão de estar só com as sua orações, as suas memórias e saudade.
Quando da visita ao Palácio da Pena em Sintra, o seu predileto, igualmente manifestou o desejo de estar só e correr de sala por sala, de corredor por corredor, enquanto no exterior aguardavam a sua saída muitos dos seus antigos colaboradores para a saudarem e que com carinho e entusiasmo o fizeram e a rainha apesar dos seus 79 anos mantinha uma memória muito fresca pelo que a muitos recordou pelo nome. Entre estes estava presente Pedro Silva, antigo camareiro do rei Dom Carlos e aio dos príncipes, a residir em Linda-a-Velha, depois da implantação da República, primeiro no Palácio dos Aciprestes e depois em casa do seu cunhado Octávio, acompanhado do sobrinho e meu saudoso amigo Augusto Berneaud que com ele vivia e eu próprio, na altura um garoto com 10 anos de idade, irrequieto, turbulento e abelhudo, talvez bisbilhoteiro que frequentava a casa, primeiro para levar o pão, pois eram fregueses de meu pai, depois, como era metediço fui-me deixando ficar e quando soube que ele ia a Sintra que na altura não conhecia, logo me fiz convidado, que por graça aceitou.
Quando o senhor Pedro Silva se viu frente a frente com a rainha dobrou o joelho para lhe beijar a mão e esta pegando-lhe no braço levantou-o dizendo “ Frederico nem tu nem eu já temos idade para essas coisas” e só aqui passei a saber que ele era Frederico de nome, mas a rainha sabia-o e lembrou-se como o tratava.
Foi graças à minha descarada abelhudice que tive o ensejo de conhecer e beijar a mão à última rainha de Portugal.
Durante a sua estadia visitou ainda Cascais, Mafra, Alcobaça, Batalha, Buçaco onde esteve hospedada no Grande Hotel Palácio e igualmente esteve em Fátima, que não conhecia, tendo oferecido um dos seus mantos reais a Nossa Senhora.
Almoçou e conviveu com vários elementos da nobreza, designadamente, as Marquesas do Lavradio e de Valle-Flor e Condessa de Sabugosa entre outros.
Igualmente visitou, nas suas residências oficiais, o Presidente da República Marechal Óscar de Fragoso Carmona e o Presidente do Conselho de Ministros Prof. Doutor António de Oliveira Salazar, tendo também visitado o Cardeal Patriarca Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, com quem conversou largamente.
A rainha Dona Amélia era uma mulher enérgica, consciente, segura de si e do seu estatuto, apesar de bastante sofrida pelos vários desgostos suportados ao longo da vida quer pelo comportamento e traições do rei seu marido, bastante mulherengo, quer pela sua trágica morte e do filho mais velho, futuro rei, entre muitos mais elementos da sua família e amigos, bem como a guerra em França onde vivia, enfim muito mais.
Embora convidada para residir em Portugal, o que não aceitou, a rainha morreu no dia 25 de Outubro de 1951, com 86 anos de idade, tendo sempre manifestado desejo que, aquando da sua morte, pretendia adormecer em França mas ficar para sempre a dormir em Portugal. Assim, logo que foi conhecida a sua morte o governo português decretou três dias de luto nacional, sendo a bandeira colocada a meia-haste em todos os edifícios públicos e de imediato resolveu a transladação do seu corpo devidamente embalsamado para Portugal, sendo o funeral realizado no dia 30 de Janeiro de 1952, cuja urna veio a bordo do navio português Bartolomeu Dias, funeral a que pessoalmente assisti, estando presentes entre outros membros do governo o Prof. Salazar. Mais tarde, sossegadamente, visitei o seu túmulo no Panteão Real, onde coloquei uma rosa vermelha. Que descanse em paz junto dos que lhe são queridos.
Tendo o seu filho Dom Manuel II morrido sem descendentes, a coroa de Portugal ficou sem representação, pelo que foi entregue à descendência do rei Dom Miguel, afastado de Portugal e exilado no ano de 1834, sem permissão de usar o nome Bragança. Porém, depois da morte foram feitas várias tentativas de aproximação junto da rainha Dona Amélia, inclusivamente, junto do próprio Salazar, para que fossem legados ao primogénito do Duque de Bragança Dom Duarte Pio, ainda criança, apadrinhado por ela e pelo Papa Pio XII, todos os seus bens e direitos mobiliários existentes em Portugal, à data da sua morte, talvez mais pela confiança e simpatia que nutria por Salazar, do que por vontade própria, testamentou, em conformidade, no ano de 1946, a favor do afilhado.
Esta, porém, não era a opinião do rei Dom Manuel II, que sempre manteve este assunto em suspenso, mas se a representação da coroa portuguesa tivesse sido entregue aos descendentes do Imperador do Brasil, Dom Pedro I, que foi rei de Portugal, como tudo leva a crer, seria bem pior, pelo que, embora Dom Duarte Pio não tenha nascido em Portugal, o seu descendente, príncipe da Beira Dom Nuno de Santa Maria e Bragança já com 18 anos de idade completados no dia 25 de Março de 2014 a representação da coroa acabará por ficar a cargo de um português legítimo. Será que algum dia reinará? Duvido!
Embora não fazendo parte do assunto relacionado com a visita da rainha Dona Amélia a Portugal no ano de 1945, entendemos, por oportuno, dar a conhecer que foi esta rainha que procedeu à inauguração do Santuário de Nossa Senhora da Conceição da Rocha no Vale de Carnaxide junto ao Rio Jamor, acompanhada dos príncipes Dom Luís Filipe e Dom Manuel (mais tarde rei) e que penso ter visitado noutras ocasiões. Também visitou a Capela de Nossa Senhora do Cabo em Linda-a-Velha, onde ofereceu um cravo igual aos que pregaram Cristo na Cruz e que num deles foi tocado, conforme documento que o certifica.

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HISTORIAL SOBRE AS QUINTAS MAIS IMPORTANTES DA FREGUESIA DE CARNAXIDE E ALGUNS PORMENORES, DE RECONHECIDO INTERESSE, EM RELAÇÃO À ORIGEM DA REGIÃO DE LINDA-A-VELHA.

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Joaquim Fernandes in 2014/09/03

Tendo-me sido pedido para falar das grandes quintas da Freguesia de Carnaxide em que Linda-a-Velha esteve integrada até à década de noventa do século vinte, passo a referir aquelas que considero mais importantes:

Quinta dos Grilos/Carnaxide
Geograficamente pertenceu a Linda-a-Velha durante vários anos.
Esta quinta foi fundada no ano de 1256 pelos frades Agostinhos, tendo como Patrono Santo Agostinho, que normalmente escolhiam meios rurais para viverem.
Esta quinta e o palacete existente chegou a ser residência oficial do Senhor Dom António Baptista de Sousa, Visconde de Carnaxide que remodelou todo aquele espaço no inicio do século vinte.
A quinta assumiu o nome de Grilos na segunda metade do século dezanove quando habitada por uma família de nome Grilo.
Já nos nossos dias foi habitada por uma família estrangeira e chegou a funcionar como Fábrica de Conservas.
Quinta dos Salles/Outurela
Era conhecida pela quinta dos Cónegos por ser habitada por elementos da Igreja, isto no decurso do século dezoito, embora a quinta já existisse.
Chegou a funcionar com frades Lóios mas depois da extinção da sua Ordem, isto na primeira metade do século dezanove foi habitada pela família Salles e no decurso do século vinte, dadas as suas excelentes águas, foi ali instalada uma fábrica de pirolitos, com a característica da tampa das garrafas ser um berlinde que ao empurrar-se a garrafa abria, passando, então, a ser conhecida pela quinta de São Marçal.
Quando ainda criança, pouco mais teria de cinco anos, lembro-me não sei se a dona da quinta, se a caseira, sei apenas chamar-se Conceição sempre me oferecia um pirolito devidamente refrescado nas frescas águas da quinta, quando lá ia com o meu pai.
Quinta de Nossa Senhora da Conceição/Outurela
Esta quinta data do século dezoito e foi passando de geração em geração, embora mantendo inalteráveis alguns pormenores originais como a cascata, o tanque, o poço, o casarão e uma linda Capela em Honra de Nossa Senhora da Conceição.
Ainda criança cheguei a conhecer a proprietária Senhora D. Consuelo que, sempre acompanhada da sua criada e dama de companhia Senhora Maria Amélia, ali passava o Verão. A Senhora D. Consuelo pertencia ao Conde de Vimioso.
Quinta e respectiva Casa Branca/Carnaxide
Com origem no século dezanove foi habitada pelo grande poeta Tomás Ribeiro, homem célebre nos reinados dos reis Dom Pedro V e Dom Luís, que bastante contribuiu para que a Imagem aparecida de Nossa Senhora da Conceição da Rocha regressasse ao seu lugar de aparição de onde havia sido retirada por determinação do rei Dom João VI que entendeu não haver naquele local as necessárias condições para a Sua Veneração.
Também consta que o rei Dom Luís e sua esposa a rainha senhora Dona Maria Pia era das varandas da sua casa que assistiam às solenidades anuais em Honra de Nossa Senhora da Rocha.

Quinta da Graça/Cruz Quebrada
Esta quinta foi bastante desmembrada aquando da construção do Estádio Nacional, campos de treino e espaços circundantes, nos anos quarenta (século vinte).
O laranjal desta quinta era importante o qual debruçado sobre o Rio Jamor chegou a ser cantado por Cesário Verde quando residente em Linda-a-Pastora.
Nos anos quarente vendiam-se ali laranjas ao público a dois escudos e cinquenta centavos o cento. Isto para não dizer que as laranjas eram oferecidas e às vezes havia quem as apanhasse no Rio quando estas se desprendiam das árvores.
Quinta dos Verdes/Linda-a-Pastora
Nesta quinta viveu o poeta Cesário Verde, tendo sido herdada pelo seu sobrinho Eng.º Jorge Verde.
Actualmente está transformada em convento.

Quinta do Rodízio/Linda-a-Velha
Embora se fale desta quinta, desconheço a sua origem, supondo que alguma vez pudesse ter existido em Linda-a-Velha.

Quinta da Mirabela/Linda-a-Pastora
Desconheço pormenores da sua origem sabendo apenas da excelência das suas águas que suponho serem comercializadas
Casal de Barronhos/Linda-a-Velha
Pertenceu a Francisco José Vitorino e a que já fiz, anteriormente, pormenorizadas referências, pelo que me dispenso de voltar ao assunto.
Este espaço constitui actualmente a Nova Carnaxide.

Casal da Ninha/Casal da Ninha Velha/Quinta dos Aciprestes – Linda-a-Velha
Embora já me referisse a esta herdade variadíssimas vezes, não posso deixar de lembrar que a mesma foi herdada pelo rei Dom Diniz, do seu pai e rei Dom Afonso III, tendo sido doada ao seu fiel servidor Pero Coelho, chegando a ser residência de Diogo Lopes Pacheco um dos matadores de Inês de Castro a mando do rei Dom Afonso IV, o qual conseguiu fugir ao suplicio decretado pelo rei Dom Pedro I, fugindo para França disfarçado nas roupas de um mendigo, de onde não mais voltou. Há quem diga que voltou a Portugal, depois de perdoado pelo rei Dom Fernando I, mas suponho não ser verídico.
Também como facto histórico foi nesta herdade que se escondeu Dom António Prior do Crato quando fugido da Batalha de Alcântara, travada contra seu primo Filipe II de Espanha, no dia 25 de Agosto de 1580.
Sabe-se ainda que no ano de 1623 foi a herdade arrendada ao Padre Miguel Pestana, sendo rendeiro Bernardo Luís residente na Ribeira de Algés, cuja renda era paga em Galinhas, porcos, ovelhas e alguns frutos, com a exigência de serem produtos de excelente qualidade.
Na segunda metade do século dezoito foi esta herdade oferecida pelo rei Dom João V ao seu secretário e conde de Santos (Brasil) Dom Alexandre de Gusmão, irmão de Bartolomeu de Gusmão o inventor da passarola que ali mandou construir o Palácio dos Aciprestes, porém, tendo falecido no ano de 1753 não chegou a habitá-lo, acabando por ser vendido pela sua viúva aos Viscondes de Rio Seco que o mantiveram na sua posse até aos finais dos anos cinquenta (século vinte) e por ali passaram e gozaram férias figuras altamente marcantes da nossa história.
Vendido ao Sr. Dr. João da Cunha Gonçalves foi o mesmo demolido e reconstruído mais ou menos na mesma traça, mantendo do anterior e por conseguinte inalteráveis, a Capela dedicada a Nossa Senhora do Rosário, o tanque, o poço, o primitivo casal (moradia), os muretes, variadíssimos bancos historiados, algumas imagens de santos que em pequenos nichos se encontravam espalhados pela quinta, a calçada de pedra negra e o portão principal, aliás bastantes pormenores originais (aqui cabe-me fazer um apelo a quem possuir fotografias do primitivo Palácio, o obséquio de me fornecer uma a qual deve ser enviada para Joaquim Fernandes a/c do Lar e Centro de Dia Padre Dehon / Rua dos Lusíadas 4 Linda-a-Velha, o que antecipadamente agradeço, pois que se saiba estas são raras, inclusivamente, nem a Câmara Municipal de Oeiras e Junta de Freguesia de Linda-a-Velha as possuem).
Os últimos habitantes do primitivo Palácio foram o Almirante Policarpo de Azevedo 3º filho do Visconde do Rio Seco e, posteriormente, a senhora Dona Maria José de Azevedo, sua sobrinha, que ali passava o Verão. Na minha juventude brinquei bastante com a filha desta, igualmente criança, cujo nome não me ocorre.
Presentemente, ultrapassadas que foram algumas vicissitudes, este Palácio passou a funcionar como Fundação Marquês de Pombal a qual funciona como dependência da Câmara Municipal de Oeiras.

Embora não se tratando de uma quinta não podemos deixar de referir o magnifico pinhal mandado plantar pelo Sr. Dr. Alfredo de Sousa, o inventor da vacina contra a varíola, casado com a senhora D. Graziela de Sousa, numa propriedade que adquiriu em Linda-a-Velha, na Rua Fontes Pereira de Melo, com o intuito de ali fazer um Sanatório para recuperação de tuberculosos, aproveitando os excelentes ares e não menos excelentes águas deste planalto sobranceiro ao Tejo, o que não aconteceu, tendo acabado por ali construir a sua residência, Vivenda Lys de que veio a desgostar-se sendo a mesma alugada, ou talvez vendida o que desconheço, ao Sr. Eng.º José de Almeida Araújo, titular descendente dos Condes Almeida Araújo de Queluz, sobrinho do grande actor português Alves da Cunha, mestre de Teatro do Conservatório Nacional.
Mais tarde residiu ali a grande obreira e benemérita desta terra Isa Marinho Goulão que veio para aquela casa rodeada de pinheiros na esperança de salvar o seu filho José Joaquim Marinho Goulão que havia contraído a tuberculose, o que não aconteceu tendo acabado por falecer no dia 21 de Dezembro de 1948.
Anos depois o proprietário decidiu vender-lhe aquela residência, tipo palácio e a enorme área que a envolvia, suponho que pela importância de cem mil escudos, o que não foi aceite, acabando por mudar-se para outro local de Linda-a-Velha e mais tarde regressado ao Brasil de onde eram naturais.
Finalizo informando que embora não se possa determinar a origem da região de Linda-a-Velha sabe-se que a mesma foi habitada desde tempos pré-históricos, documentando-o o facto de aqui terem sido encontrados alguns pedaços de cerâmica e fragmentos de lâminas de sílex precisamente no local onde existiu o Moinho de Santa Catarina e uma forca que se julga nunca ter chegado a funcionar, espaço agora ocupado pelo Solplay Hotel, peças que se encontram no Museu de Arqueologia em Belém junto ao Mosteiro dos Jerónimos. Estes achados remontam aos últimos anos do século quarto, início do século quinto antes de Cristo, segundo identificaram entendidos nesta matéria. Nos nossos dias, mais concretamente no ano de 1920 foi encontrado um túmulo romano que estava na zona onde hoje se situa a Rua D. Joana da Glória Pedroso Simões Alves, antiga quinta do Sr. Manuel Leiteiro, o qual se encontra no Museu do Carmo.
Com isto se prova que Linda-a-Velha tem história e até pré-história, tem um passado que convém ser conhecido e respeitado.

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CONVERSANDO COM JOSÉ EUGÉNIO MOUTINHO TAVARES SALGADO

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– Entrevista de JOAQUIM FERNANDES
No dia 24 de Julho de 2014, estando presente a minha grande amiga Drª Eduarda Galhoz, tivemos o grande prazer de receber no Lar Padre Déhon, onde me encontro internado, o Sr. Dr. Eugénio Salgado como é conhecido e que conhecemos quando Presidente do Concelho de Administração da Fundação Marquês de Pombal.
No decorrer da conversa que trocámos em estilo de entrevista, soubemos que a sua vida activa, depois de se licenciar em Ciências Sociais e Políticas, começou no ano de 1960 na Administração de Timor.
Nascido a 18 de Fevereiro de 1936, na cidade Distrital de Vila Real adquiriu a garra e a força do povo transmontano e isso revelou-o ao longo da sua vida profissional.
Começando pela Fundação Marquês de Pombal com sede no Palácio dos Aciprestes, sito na Avenida Tomás Ribeiro em Linda-a-Velha, constituído por escritura pública celebrada no Salão Nobre da Câmara Municipal de Oeiras, no dia 23 de Março de 1992, foi a sua presidência entregue ao General João António Pinheiro.
No ano de 1999 foi a presidência do Concelho de Administração assumida pelo Dr. Eugénio Salgado, cargo que ocupou durante doze anos, tendo saído no ano de 2011.
Sabendo-se rodear de uma excelente equipa de que não podemos ignorar o trabalho desenvolvido pela funcionária Fátima Granadeiro, dedicou-se a esta obra de alma e coração, tendo sido desenvolvidas durante o seu mandato as mais diversas actividades sempre com o intuito de a engrandecer, dignificar e promover, fazendo-a conhecida do grande povo do Concelho de Oeiras e não só, dando-lhe vida e acção, o que fez com bastante trabalho, dinamismo e interesse. Assim, começou por mandar reestruturar e adaptar a uma realidade funcional algumas das salas do Palácio, sendo ajardinados os espaços exteriores, alguns em bastante mau estado de conservação, criado o Parque Infantil Dr. António João Eusébio, foi facilitado o acesso ao Palácio a partir do Largo do Mercado, deu nova vida ao Parque das Amendoeiras onde passou a funcionar a Feira Medieval promovida pela Liga dos Amigos de Linda-a-Velha, embora em nossa opinião devesse ter mais utilização e no que se refere à residência dos antigos caseiros dos Viscondes de Rio-Seco, proprietários do Palácio a partir da sua aquisição à viúva de Dom Alexandre de Gusmão que o mandou construir no ano de 1750 e que se supõe não ter chegado a habitar pelo facto de ter morrido no ano de 1753, foi esta casa depois de ter terminado a sua actividade comercial, fim a que se destinou, designada como Casa Alexandre de Gusmão, a qual vem sendo utilizada em reuniões da Junta de Freguesia, da Universidade Sénior Nova Atena, exposições, sessões de esclarecimento entre outros.
Foram feitas casas de banho que não existiam e adaptado um velho imóvel a Casa de Chá que não chegou a funcionar, tendo sido acautelados o poço e o tanque de modo a evitar problemas com as crianças frequentadoras do Parque Infantil ou, inclusivamente, os idosos que utilizam os espaços ajardinados do Palácio, pois sendo das partes seculares daquele espaço não estavam adaptados a estas realidades.
Quanto à utilização do Palácio propriamente dito, cujos serviços administrativos e a própria Administração funcionam no andar superior, nas salas do rés-do-chão foram organizadas, sob o patrocínio do Dr. Eugénio Salgado variadíssimas exposições de pintura e outras artes, espectáculos de música, canto e poesia, conferências sob os mais diversos temas, lançamento de livros, sendo alguns promovidos ou por ele só patrocinados, entre outras realizações a nível cultural e recreativo, pondo em prática toda a sua capacidade e potencial ao serviço da Fundação.
Perguntei-lhe pelo destino dado aos bancos revestidos a azulejos historiados do séc. XVIII que só não foram destruídos à força de camartelo pelo despacho impeditivo do Dr. Eugénio Salgado, embora ainda se perdesse um, esclareceu que os mesmos se encontram encaixotados e devidamente acondicionados na cave do Palácio para serem reconstruídos quando possível, o que já foi tentado mas não concretizado e, de momento, a crise em que estamos envolvidos, inclusivamente as próprias autarquias e instituições, também não o permite. O mesmo acontece em relação à lindíssima Capela em honra de Nossa Senhora do Rosário, cujo altar em madeira policromada a imitar mármore se encontra bastante danificado, o que é uma pena. Em relação às imagens não só da Capela como às variadíssimas que existiam na quinta em nichos, esclareceu o Dr. Eugénio Salgado que estas foram levadas pelos antigos proprietários, não tendo sequer chegado a vê-las. Embora não fazendo parte da nossa conversa permitimo-nos sugerir que, pelo menos, seja colocada na Capela a imagem da sua patrona Nossa Senhora do Rosário.
O Sr. Dr. Eugénio Salgado foi o homem certo no lugar certo pelo que fez falta na Fundação Marquês de Pombal.
Mas deixando a brilhante actividade desenvolvida nesta Fundação que em boa hora foi instituída nesta Vila de Linda-a-Velha dando vida e acção àquele Palácio que, embora não sendo o primitivo é o ex-libris desta terra e da sua gente o Sr. Dr. Eugénio Salgado no que se refere à sua vida profissional esta foi bastante preenchida tendo ocupado os mais diversos cargos públicos, designadamente, nos anos de 1975 a 1995 na Administração Central como Assessor Principal do Ministro da Reforma Administrativa e no Ministério das Finanças, Secretário Geral nos Ministérios da Administração Interna e Secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro e dos Ministros das Obras Públicas e da Educação.
No período decorrente de 1993 a 2001 exerceu funções de Vereador e de Vice-Presidente da Câmara Municipal de Oeiras e no ano de 2005 a 2009 foi Presidente do Concelho Municipal de Oeiras, entre outros cargos públicos que exerceu durante a sua vida activa.
A nossa conversa durou cerca de uma hora e trinta minutos pelo que muito ficou por saber da vida deste valoroso elemento do nosso Concelho de Oeiras, a residir na Vila de Linda-a-Velha, tendo sido homenageado pela respectiva Junta de Freguesia de Linda-a-Velha no dia 17 de Junho de 2011, pelos altos e meritórios serviços que prestou.
Bem-haja Sr. Dr. Eugénio Salgado.
De momento, afastado de todos os cargos sociais e políticos que dignamente exerceu, vive da sua merecida reforma e no sentido de manter a boa forma física que apresenta, vai fazendo longas caminhadas.

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ANJO CUSTÓDIO DE PORTUGAL

ANJO DE PORTUGAL

Joaquim Fernandes in Linda-a-Velha, 2014 Agosto/14

Há tempos li uma notícia num jornal regional cujo motivo chamava a atenção para a devoção devida ao Anjo de Portugal.

De facto este nosso País, à semelhança dos demais, tem o seu Anjo protector que, segundo o calendário litúrgico é celebrado no dia 10 de Junho.
Na minha meninice neste dia 10 de Junho celebrava-se Camões – Luís Vaz de Camões, esse vulto único na Europa e talvez no Mundo, cuja data de nascimento se desconhece mas sabe-se ter morrido no dia 10 de Junho de 1580, precisamente no ano em que Portugal perdeu a sua independência ao ser desbaratado e vencido o grande português Dom António Prior do Crato legitimo herdeiro do trono de Portugal, naquela trágica Batalha de Alcântara, travada no dia 25 de Agosto de 1580, ficando este nosso País sob o domínio dos espanhóis durante sessenta anos. Camões, independentemente da miséria em que viveu a sua velhice e de outros males do corpo e da alma que o afligiram e teve de suportar, morreu, por certo envergonhado do País onde nasceu e tão bem soube cantar, não conseguiu ultrapassar os problemas em que foi envolvido, tendo acabado por perder a sua independência a favor de um ganancioso rei espanhol, só porque tinha sangue português por parte de sua mãe, no que beneficiou da colaboração de alguns portugueses poucos escrupulosos que vendendo-se o ajudaram nesta vergonhosa acção.
Mais tarde, aproveitando este dia, passou a festejar-se Portugal e, posteriormente, das Comunidades Portuguesas, festejando-se, por conseguinte, em 10 de Junho Portugal, Camões e as Comunidades Portuguesas, escolhendo-se este dia para homenagear e honrar alguns elementos valorosos, todavia não tantos quantos deviam. Porém esqueceu-se a nível estatal o Anjo de Portugal que neste dia também se celebra, não obstante a Igreja orgulhosamente o fazer.
A celebração do Anjo de Portugal teve a sua origem no reinado de Dom Manuel I – o Venturoso, instituído pelo Papa Júlio II, no ano de 1504, sendo inserido no Calendário Litúrgico pelo Papa Pio XII no ano de 1952 e a sua devoção assumiu contornos de grande Fé aquando da Aparição em Fátima em 1917 da Santíssima Virgem aos pastorinhos Jacinta, Francisco e Lúcia, estando os dois primeiros já beatificados e das consequentes aparições do Anjo de Portugal aos mesmos pastorinhos preparando-os para esta visita da Mãe do Céu.
Se quem governa Portugal atentasse mais nesta devoção, honrando o seu Anjo Protector, talvez estivesse mais protegido de muitos dos problemas que tanto nos afligem e para que se não vê solução nem a curto nem a longo prazo, como o desemprego, o abandono dos idosos, a protecção na saúde, a mendicidade, a fome, o amparo na infância, enfim a falta de caridade para com a maioria do seu povo, esquecendo-se que este Anjo tem como missão Divina governar, reger, guardar e iluminar-nos aos Olhos de Deus e Portugal bem precisa de ser iluminado.
Sendo Portugal um País maioritariamente católico e temente a Deus, desde longínquos anos, diremos, desde sempre, bastando observar a nossa História a partir do nosso primeiro rei Dom Afonso Henriques, o Conquistador, por que razão agora se verifica esta ridícula mentalidade e afastamento entre o Estado e a Igreja, quando, afinal, nas grandes solenidades por ela promovidas, o Governo sempre marca presença ao mais alto nível.
Portugal nasceu do nada, com a graça de Deus e a coragem e bravura dos Homens, cresceu, fez-se grande entre os maiores e agora, com o avançar dos séculos, está reduzido a este rectangulozinho recortado com Ilhas ao fundo, lá longe, distantes, pelo que em vez de progredir se deixa regredir e muitas vezes humilhar e subordinar, pelo que não deviam dispensar a Protecção do nosso Anjo.
Termino, esperançado que, num futuro próximo, passará a celebrar-se, oficialmente, no dia 10 de Junho – Portugal, Camões, Comunidades Portuguesas e o Anjo Protector.

 

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IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA EM PORTUGAL

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Joaquim Fernandes in Linda-a-Velha, 2014 Agosto/13

Em 31 de Janeiro de 1891 rebentou na cidade do Porto uma revolução tendente à implantação da República a qual foi sufocada, tendo sido presos os seus organizadores. A ideia, porém, estava lançada e no dia 1 de Fevereiro de 1908, quando a família real regressava do Alentejo, foram mortos a tiro, no Terreiro do Paço (Praça do Comércio) o rei Dom Carlos e o príncipe real (futuro rei) o infante Dom Luís Filipe, assumindo o poder o príncipe Dom Manuel, um jovem de dezoito anos, sem a necessária preparação para o efeito.

Entretanto, as lutas políticas dos partidos monárquicos deram origem ao desenvolvimento de partidos republicanos o que fez eclodir um movimento revolucionário que implantou a República em Portugal, no dia 5 de Outubro de 1910, pondo assim termo à Monarquia (em Loures a República foi implantada na véspera).
Implantada a República a família real saiu de Portugal, tendo procurado asilo em Inglaterra onde foi acolhida por seu primo Jorge V, que colocou à sua disposição um palácio de vinte divisões, alguns hectares de terreno ajardinado e de caça e criados suficientes para os servir, tendo embarcado na Ericeira a bordo do paquete Amélia. Passado algum tempo o rei D. Manuel II casou com uma princesa alemã, não muito bonita e um tanto estrábica, neta da nossa princesa senhora Dona Antónia, a quem ofereceu como prenda de casamento um diadema de platina cravejado com dois mil e quinhentos diamantes, que o deixou um tanto endividado e que, suponho, faz parte do Tesouro de Portugal.
O rei Dom Manuel II morreu sem deixar descendentes no dia 2 de Julho de 1932, às 13:40 horas, com um edema pulmonar, tendo sido sepultado no Panteão real da Dinastia de Bragança, no Mosteiro de São Vicente em Lisboa, sendo a morte provocada pelo muito que fumava. A partir daí, embora não havendo rei em Portugal, a representação da coroa foi entregue, em minha opinião, indevidamente, à descendência do rei Dom Miguel que havia sido exilado fora de Portugal e sem permissão de usar o nome de Bragança.
Triunfante a revolução chefiada por Machado de Castro foi constituído um governo provisório sob a presidência do Dr. Teófilo Braga que logo publicou as Leis de Registo Civil, do Divórcio, da Família, da Separação da Igreja do Estado, do Inquilinato e do Trabalho entre outras.
Tendo-se procedido à eleição da Assembleia Constituinte para a elaboração e aprovação da Constituição da República que foi aprovada em 18 de Agosto de 1911, foi eleito como Presidente da República o Dr. Manuel de Arriaga.
Em 28 de Maio de 1926 as lutas dos partidos eram uma constante e a indisciplina imperava em todos os serviços administrativos do Estado e no próprio governo, pelo que tal situação não podia continuar sem grave perigo para a Nação e por isso, o Exército tendo à frente o General Gomes da Costa, encerrou o Parlamento e impôs uma ditadura militar em 28 de Maio de 1926.
Cumprida a sua missão a ditadura militar fez aprovar em plebiscito no ano de 1933 uma nova Constituição e eleger a Assembleia Nacional, terminando assim as suas funções, as quais passaram a ser desempenhadas pelo Presidente da República Marechal Óscar de Fragoso Carmona que, em 5 de Julho de 1932 havia nomeado como Chefe do Governo o Prof. Doutor António de Oliveira Salazar. Com a morte do Marechal Carmona, nos anos cinquenta, assumiram o cargo de Presidente da República o General Craveiro Lopes e, posteriormente, o Almirante Américo Tomás.
Quanto à chefia do Governo este foi feito, sucessivamente, pelo Prof. Doutor António de Oliveira Salazar, tendo mais tarde sido substituído pelo Prof. Doutor Marcelo Caetano, dado os graves problemas de saúde por aquele sofridos, tendo-se mantido no lugar depois da sua morte.
Este regime ditaturial e corporativo terminou as suas funções em Portugal, na madrugada do dia 25 de Abril de 1974, graças à corajosa acção desenvolvida e levada a cabo pelos Capitães de Abril, embora os ideais então manifestados tenham vindo a ser, abruptamente, adulterados, no decurso dos quarenta anos passados desde aquela gloriosa data.

 

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MEMÓRIA DE LINDA-A-VELHA SOBRE O MERCADO MUNICIPAL

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Joaquim Fernandes in 2014/08/01
Estávamos na década de sessenta (século XX) quando chegou à Freguesia de Carnaxide para assumir as funções de Prior, vindo da Igreja de São Pedro no Barreiro, o senhor Padre Francisco Santos Costa, dado a nível religioso ter sido criada a Freguesia de Algés, agregando esta as localidades de Miraflores e Cruz Quebrada/Dafundo, repito, esta alteração foi somente a nível religioso, pois a nível oficial só aconteceu mais tarde, concretamente, nos anos noventa. Assim, Linda-a-Velha continuou integrada em Carnaxide.

Foi precisamente na década de sessenta que alguns vendedores entenderam, por iniciativa própria, estabilizar-se no adro do coreto para fazerem as suas vendas de legumes, peixe, galináceos, roupas, linhas, flores, etc., transformando aquele espaço nobre numa praça de levante, embora os vendedores ambulantes, designadamente, a Zulmira e o José Fazendas peixeiros e a Ludovina com legumes mantivessem os seus clientes habituais.
Linda-a-Velha começou a crescer a partir dos anos cinquenta, as vendas foram aumentando sucessivamente e os vendedores aumentando em conformidade pelo que os peixeiros resolveram mudar de sítio passando, por sua iniciativa para o adro da Capela de Nossa Senhora do Cabo e como as vendas decorriam todos os dias da semana era normal à hora da Missa Dominical as peixeiras apregoarem estridentemente os peixes que tinham para venda o que bastante incomodava e contrariava o nosso Prior dado tal situação prejudicar o ambiente em que, normalmente, decorria a Santa Missa. Depois, havendo, na época, bastantes animais vadios as ditas vendas sugeriam que os gatos e cães frequentassem o local e muitas vezes, na hora da Santa Missa entrassem Capela adentro aborrecendo os assistentes e destabilizando as crianças e quanto ao Prior nem se fala pois os animais subiam até ao altar e por ali andavam à sua volta.
Tentando pôr cobro a esta desagradável situação e também para evitar que as crianças antes e depois da Catequese andassem a correr de adro em adro atravessando a estrada agora com muito mais movimento pois Linda-a-Velha estava a aumentar a olhos vistos, o perigo de atropelamento era uma constante.
Assim, tentando pôr cobro a toda esta situação e ainda porque as peixeiras ao amanharem o peixe deixavam pelo chão as partes inúteis e as águas utilizadas para a sua lavagem, as moscas abundavam naquele local, transformando-o numa perfeita porcaria, quando o Prior as chamava à atenção estas usando uma linguagem desabrida ainda o ofendiam quando afinal estavam usurpando uma área que não lhes pertencia. Assim, resolveu mandar construir o muro que separa aquele adro da Capela da estrada, comunicando à Câmara Municipal de Oeiras a posição assumida e a razão porque o fez e aquela Edilidade ordenou por ofício assinado pelo vereador Senhor Engª Paixão, que o muro fosse demolido num curto espaço de quarenta e oito horas, tendo aquele adro de voltar à situação inicial, dizendo então o dito vereador que o adro era frequentemente utilizado pelos velhinhos que ali iam apanhar Sol e estando o adro fechado isso os impedia, o que até aí nunca se tinha verificado, visto os ditos velhinhos utilizarem mais as tabernas e o velho pontão do que o adro da Capela.
Sendo o Senhor Padre Francisco Santos Costa um homem bastante decidido, que não gostava de ser contrariado nas posições que, ponderadamente, assumia passou pela minha casa, onde aliás ia frequentemente pois bastante gostava dos petiscos que ali lhe eram servidos e, em conjunto, preparámos a resposta ao dito ofício e foi tal a resposta que o muro lá está há mais de cinquenta anos.
Neste entretanto, usando o campo antes utilizado pelo Sporting Clube de Linda-a-Velha para os seus jogos de futebol e os festeiros para a realização das cavalhadas à antiga portuguesa aquando das festas anuais em Honra da Padroeira Nossa Senhora do Cabo, a Câmara Municipal de Oeiras mandou ali construir o Mercado Municipal que depois de construído esteve vários meses para ser inaugurado e, consequentemente utilizado, acabando por ser aberto ao público sem qualquer cerimónia inaugural. Era um bom mercado, com bastantes vendedores e bem abastecido, porém Linda-a-Velha foi crescendo a todos os níveis e com isso vieram alguns supermercados e o mercado municipal foi morrendo aos poucos estando, de momento, reduzido a duas vendedouras de peixe, uma de legumes, outra de galináceos, havendo ainda uma florista e duas senhoras que por vezes vendem roupa e sapatos respectivamente.
Posto o assunto à consideração do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Oeiras para que à semelhança do Mercado Municipal de Algés, inaugurado no ano de 1951, fosse como esse restaurado e dinamizado, tendo o mesmo mandado informar do desinteresse do referido mercado, dado ser a Vila de Linda-a-Velha a que, no Concelho, está mais bem servida de supermercados, tendo, na circunstância, ficado com a ideia que aquele espaço não iria ser destruído mas transformado numa qualquer dependência camarária a favor desta Vila. Quem sabe se é desta vez que Linda-a-Velha vai passar a usufruir de uma Sala de Convívio para que os velhinhos se possam reunir e distrair e uma creche que possa acolher as crianças necessitadas desta terra, permitindo, deste modo, que os progenitores possam, descansadamente, deixar os seus filhos enquanto exercem as suas funções profissionais se, face à crise que estamos enfrentando, ainda tiverem a felicidade de manter emprego.
Sabemos que o País está inacreditavelmente em crise mas como as instalações estão feitas e as respectivas modificações e adaptações certamente não serão muito onerosas, como a sua própria manutenção, entendo, aliás julgo que todos entendem, que a dita crise não pode ser desculpa para tudo e para nada, evitando assim que as ditas instalações acabem por cair de podres.
Deixo este assunto à consideração de quem de direito na esperança de que seja aceite e concretizado em conformidade.

2014/08/01
Joaquim Fernandes

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ALGUNS PORMENORES SOBRE A VIDA DA RAINHA ISABEL DE PORTUGAL

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Joaquim Fernandes in  2014 Julho/10
Seguindo os textos históricos que tenho vindo a apresentar foi-me pedido para escrever alguns pormenores sobre Isabel de Portugal, a nossa Rainha Santa que, embora aragonesa honrou e serviu Portugal e enriqueceu pela sua bondade os altares do mundo inteiro. Assim, atendendo ao solicitado tenho o grato prazer de contar alguns pormenores que julgo de interesse salientar.

A mui nobre, virtuosa e esclarecida senhora Dona Isabel de Aragão era filha de Dom Pedro III e de sua mulher Dona Constança.
Nascida em Zaragoza, a formosa infanta de Aragão teve vários pretendentes dos quais se destacam os príncipes herdeiros de França e Inglaterra mas deu a preferência ao nobre rei de Portugal e Algarve senhor Dom Diniz e por sua vez o jovem rei também não hesitou, pois Isabel era meiga, gentil, talentosa e a aliança entre si e o rei aragonês bastante o favorecia.
Assim, enviados a Aragão os seus embaixadores foram estabelecidas as linhas gerais do consórcio a 24 de Abril do ano de 1281 e assinados os diplomas régios, tendo-se realizado cerca de nove meses depois em Barcelona os assentos nupciais e Isabel atravessou a fronteira de Portugal acompanhada de um luzidíssimo séquito, sendo recebida em Bragança pelo infante Dom Afonso, irmão do rei Dom Diniz que ficou encantado com a sua beleza.
Depois de longa cavalgada chegou a Trancoso onde era aguardada pelo rei Dom Diniz e toda a corte para receberem a rainha e após este cerimonial dirigiram-se todos para o Paço onde se realizou o solene beija-mão a que se seguiram as Bênçãos nupciais acompanhadas ao toque de sinos, várias danças e um excelente banquete e a união foi consumada.
Este o começo de vida de Isabel de aragão como Rainha de Portugal aliás uma vida cheia de percalços, tristezas e desilusões.
Cinco anos passados depois do casamento ainda a coroa não tinha herdeiro e os físicos da corte já falavam da esterilidade da rainha e aconselharam a que seria conveniente uma mudança de ares e de águas e a corte foi transferida para a beira do Mondego em Coimbra.
Apesar da mudança, os tempos passaram e não se verificou qualquer efeito, pelo que o rei andava desesperadíssimo com a situação, sendo entretanto aconselhado a procurar uma qualquer manceba longe de Coimbra que pudesse dar-lhe um filho e dois nomes lhe foram propostos, Aldonça Rodrigues da nobre casa dos Telhas, mulher bastante ambiciosa e interesseira e Grácia Fróes, ambas da Ribeira de Santarém.
Escolhida Aldonça Rodrigues foi assim o assunto tratado no mais completo sigilo para que não chegasse aos ouvidos da rainha e nasceu o bastardo Afonso Sanches no ano de 1288, situação que logo chegou ao conhecimento da rainha, a qual, desgostosa, adoeceu gravemente, pensando que tudo isto acontecia pelos seus pecados.
No ano de 1290 Dona Isabel deu à luz a infanta Dona Constança, porém Dom Diniz encantado pelos afagos do bastardo Afonso Sanches recebeu, friamente, a notícia do nascimento desta filha e, instigado pela intrigas de Aldonça Rodrigues, que com este nascimento via fugir-lhe a coroa ao seu filho, inventou as mais diversas histórias e mentiras em desfavor da rainha o que trazia o rei bastante pensativo, porém, no ano de 1291, em 8 de Fevereiro, nasceu nos velhos Paços de Coimbra o legítimo sucessor da coroa de Portugal e Aldonça Rodrigues ficou roída de inveja e redobrou nas intrigas e falsidades contra a rainha e numa das sua intrigas afiançou que este novo rebento da rainha não era filho do rei mas do seu pajem Ramiro Sanches que a acompanhou desde Espanha e ainda pertencia à nobreza, havendo entre ambos uma confiança fora do normal e a mentira depressa se espalhou.
Neste entretanto, um outro filho bastardo de Dom Diniz e Graça Fróes nasceu, sendo-lhe atribuído o nome de Pedro que, mais tarde, se colocou ao lado da rainha Dona Isabel, sendo um aliado de grande valor, tendo herdado do seu pai o gosto pelas letras.
Acreditando na mentira de Aldonça Rodrigues sobre a infidelidade da rainha resolveu castigar duramente este pajem e numa grande fúria de desespero ordenou ao forneiro de Coimbra que cozia o pão para abastecimento da cidade que mantivesse o forno bem quente ao rubro, com a indicação que aquele que o for procurar e lhe perguntar se cumpridas foram as ordens de el-rei o meter, de imediato, dentro do forno, situação que apesar do sigilo em que o assunto decorreu foi do conhecimento de Aldonça Rodrigues que ficou satisfeitíssima!
Entretanto, o rei chamou o pajem a quem ordenou o fatal recado. Acontece que o referido pajem era um moço honesto e extremamente religioso, senão que fanático pelo que Aldonça Rodrigues escolheu mal, na sua mentira, o amante para a rainha.
Seguindo as instruções do rei o forno estava aquecido ao rubro mas o tempo ia decorrendo sem que o condenado aparecesse e Dom Diniz esperava, ansiosamente, pelos resultados da sua ordem sentencial, porém o pajem Ramiro Sanches muito antes de abeirar-se do desconhecido local do suplício entrou num Santuário onde os sinos apelavam chamando à Santa Missa e ingressou avidamente no templo onde era rezado um trintário que estava a começar. Trinta padres sufragavam a alma de um homem rico que se havia finado e o pajem ouviu dez das missas e tão embevecido estava com as coisas do Céu que tarde se lembrou das ordens do rei para o forneiro e, independentemente disso ainda passou por outro templo onde os sinos apelavam à oração.
Neste entretanto, o servidor do rei e cúmplice de Aldonça Rodrigues que nada sabia do que se tratava, a pedido daquela procurou o forneiro para lhe perguntar se as ordens do rei foram cumpridas efectivamente e o forneiro homem alto e abrutalhado julgando ser o tal pajem por quem esperava sorrindo disse-lhe: “ sim cumpri, vem ver” e este abeirando-se do forno o forneiro pegou-lhe pelas pernas e lançando-o lá dentro fechou de imediato a porta enquanto o seu corpo era reduzido a pó e pensou: “ que delito teria feito este pajem para que o rei assim o castigasse”. Nesta altura chegou ao forno o pajem Ramiro Sanches que lhe perguntou se cumpridas foram as ordens de el-rei e o forneiro respondeu-lhe:-“ cumpridíssimas senhor pajem e estas horas já o miserável está reduzido a pó” e o pobre do pajem encolheu os ombros agradeceu a informação e regressou ao Paço, informando o rei em conformidade, isto perante a perplexidade e admiração do rei que ficou sem palavras. Refeito da situação procurou saber do pajem tudo o que se havia passado e este contou, escrupulosamente, o que sucedeu e o rei ao despedir-se dele só exclamou: – “Meu Deus, meu Deus!” e o caso ficou por aqui.
Durante a sua vida exemplar a nossa Rainha sempre procurou evitar as guerras entre o marido e o seu filho legítimo originadas pela cobiça do seu filho bastardo que via fugir-lhe o tão ambicionado trono.
Conta-se ainda que quando exilada em Alenquer por determinação do rei, a rainha mandou ali construir uma Capela, ainda existente, em Louvor do Divino Espírito Santo e acontece que numa das alturas em que pretendia pagar aos obreiros não tinha dinheiro para fazê-lo e então, ofereceu a cada um deles, uma das rosas de um grande ramo que um jovem lhe havia oferecido momentos antes e estes pelo respeito eu tinham para com a rainha não contestaram e com espanto verificaram, no dia seguinte, que no local onde puseram a rosa a mesma havia sido substituída por uma moeda de ouro. Esta linda e histórica Capela há anos que está sendo cuidada pela minha velha amiga Maria Amélia Marques que, apesar dos seus 84 anos continua a fazê-lo com todo o carinho, tendo a sua festa maior em cada dia de Pentecostes, este ano foi a mesma presidida por Sua Excelência Reverendíssima o Patriarca de Lisboa Senhor Dom Manuel Clemente, segundo aquela me informou.
Ainda outro pormenor, embora que lendário, a nossa rainha aquando da construção do Convento de Santa Clara em Coimbra sob a sua responsabilidade, lembrou-se de ir pagar aos obreiros pelas suas próprias mãos os seus salários, levando no regaço o dinheiro necessário e, inesperadamente, viu o rei que lhe perguntou o que levava no regaço. Isabel querendo encobrir o que levava de facto respondeu: – “ Rosas são senhor meu” e o rei estranhando retorquiu: – “ Rosas no Inverno!? Deixai-me vê-las Isabel.” A rainha ficou perplexa mas não teve outro remédio senão fazer o que lhe era ordenado e ao fazê-lo em vez de dinheiro caiu um bom punhado de rosas de inebriante odor, perante a admiração do rei.
Muito mais havia a contar sobre esta rainha mas concluímos que depois da morte do rei no ano de 1325 sepultado no Convento de Odivelas que ele mandou construir, a rainha Isabel decidiu vestir o hábito da Ordem de Santa Clara mais por tristeza que por vocação, até porque tinha muita idade e se encontrava doente, mas mesmo assim nos últimos anos da sua vida ainda teve de suportar muitos trabalhos e dissabores pelas revoltas travadas entre o seu filho rei Dom Afonso IV e o irmão o bastardo Afonso Sanches e também pela sua neta Dona Maria maltratada pelo marido Afonso 11º de Castela provocados pelos seus amores por outra mulher a Leonor de Gusmão e a guerra travada pelo seu filho e o próprio sogro rei de Castela. Perante todos estes dissabores e a sua própria doença acabou por cair, gravemente, em Estremoz onde exalou o último suspiro na noite de 4 de Julho de 1336, sendo sepultada no seu Convento de Santa Clara em Coimbra onde esteve cerca de 500 anos sendo os seus restos mortais transladados para o novo Convento da mesma Ordem salvo erro durante o reinado do nosso rei Dom Pedro II, encontrando-se num túmulo de prata colocado sobre o altar-mor. Isto dado o velho Convento ter sido em parte afundado pelas águas do Mondego.
Poucos anos após a sua morte, suponho que nove, foi esta Rainha canonizada e elevada à Glória dos altares, sendo venerada no mundo inteiro como Isabel de Portugal.
Finalizo este historial dando a conhecer que tive o privilégio de ter em minhas mãos e beijado o lençol de linho onde o seu corpo foi tumulado o qual agora se encontra em redoma de vidro, no Museu do referido convento. Quanto ao seu anterior túmulo, encontra-se no velho Convento de Santa Clara e embora vazio, é local de veneração.

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